segunda-feira, 6 de abril de 2026

BRB comprou R$ 30,4 bilhões em ativos do Banco Master, mostram planilhas

Documentos revelam que BRB adquiriu bilhões em carteiras do Banco Master, incluindo ativos de baixa qualidade e operações após alertas

         Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 30,4 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master desde julho de 2024, conforme indicam planilhas de prestação de contas obtidas por Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Além desse montante, outras operações de “substituição” elevaram o volume em mais R$ 10,8 bilhões, envolvendo a troca de ativos considerados problemáticos por novos papéis.

Segundo os documentos, as aquisições envolveram diferentes tipos de ativos financeiros, incluindo crédito de varejo, operações de atacado, além de instrumentos como CDI, CRI e fundos de investimento. As compras começaram em julho de 2024 e continuaram mesmo após o BRB identificar, em março de 2025, indícios de fraude em parte das carteiras adquiridas.

Mesmo diante dessas irregularidades, o banco prosseguiu com as negociações e adquiriu mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Banco Master. Outro ponto de alerta ocorreu em setembro de 2025, quando o Banco Central negou a operação de compra do próprio Master pelo BRB. Ainda assim, após a decisão do órgão regulador, o BRB transferiu mais R$ 1,9 bilhão ao banco.

As aquisições continuaram até outubro de 2025, período próximo à liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Ao todo, o BRB informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ter realizado 120 operações de compra de carteiras de crédito de varejo. A maior parte dessas operações envolveu empréstimos consignados vinculados à Credcesta, mas também incluíram modalidades como crédito via PIX, parcelamento de faturas e empréstimos rotativos.

No segmento de crédito atacado, os ativos adquiridos consistiam principalmente em Cédulas de Crédito Bancário (CCB), que formalizam dívidas em operações financeiras realizadas por empresas e também por pessoas físicas, como no caso de Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

Além disso, o BRB realizou 44 aquisições de instrumentos como CDI, CRI e fundos, totalizando R$ 8,1 bilhões. Metade desse valor está relacionada a substituições de ativos considerados de baixa qualidade, realizadas entre maio e início de agosto de 2025 — período em que o Banco Central já sinalizava resistência à aprovação da compra do Banco Master.

Parte dessas substituições envolvia a devolução de carteiras problemáticas ao Master, com o recebimento de novos ativos ligados à Credcesta, linha de crédito consignado voltada principalmente a beneficiários do INSS, com desconto direto em folha de pagamento.

Em fevereiro, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que buscava compradores para toda a carteira adquirida do Banco Master. De acordo com ele, o conjunto de ativos, que custou R$ 30,4 bilhões ao banco, estava avaliado em R$ 21,9 bilhões.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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