sexta-feira, 10 de abril de 2026

Com guerra no Oriente Médio, inflação sobe 0,88% em março

Números do IPCA mostram impacto da alta dos combustíveis nos preços

Consumidores em supermercado no Rio de Janeiro - 06/05/2016 (Foto: REUTERS/Nacho Doce)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março, resultado influenciado principalmente pelos aumentos nos preços de combustíveis e alimentos, que concentraram 76% da inflação do período, segundo dados oficiais divulgados. O avanço representa uma aceleração em relação a fevereiro, quando o índice havia sido de 0,70%.

Os grupos de Transportes e Alimentação e bebidas foram os principais responsáveis pelo resultado, refletindo tanto o impacto de fatores internos quanto as incertezas do cenário internacional sobre os preços.

No grupo Transportes, a gasolina teve papel central, com alta de 4,59% e impacto de 0,23 ponto percentual no índice geral. Também houve aumentos nas passagens aéreas (6,08%) e no diesel (13,90%), embora com menor peso no cálculo da inflação.

Já no grupo Alimentação e bebidas, os maiores destaques foram o leite longa vida, que subiu 11,74%, e o tomate, com elevação de 20,31%. Juntos, esses itens contribuíram significativamente para o índice, com impactos de 0,07 e 0,05 ponto percentual, respectivamente. Somados aos combustíveis e às passagens aéreas, esses cinco subitens responderam por 0,43 ponto percentual do IPCA de março.

O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, destacou a influência do cenário global sobre os preços. Segundo ele, “em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”.

No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 1,92%. Em 12 meses, o índice chegou a 4,14%, acima dos 3,81% verificados no período imediatamente anterior. Em março de 2025, a inflação havia sido de 0,56%.

Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram aumento de preços em março. Transportes liderou com alta de 1,64% e impacto de 0,34 ponto percentual, seguido por Alimentação e bebidas, que subiu 1,56% e contribuiu com 0,33 ponto percentual. Os demais grupos tiveram variações mais moderadas, entre 0,02% em Educação e 0,65% em Despesas pessoais.

Ainda segundo Gonçalves, o comportamento dos alimentos consumidos no domicílio chamou atenção. “No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”, afirmou.

Entre as regiões pesquisadas, Salvador registrou a maior variação do IPCA, com alta de 1,47%, influenciada pelo aumento expressivo da gasolina (17,37%) e das carnes (3,56%). Já Rio Branco teve a menor variação, de 0,37%, refletindo a queda nos preços da energia elétrica residencial (-3,28%) e das frutas (-3,72%).

Nas principais regiões metropolitanas, São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram inflação de 0,78%, abaixo da média nacional. Belo Horizonte, por sua vez, teve alta de 0,93%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, também apresentou aceleração em março, com alta de 0,91%, acima dos 0,56% registrados em fevereiro. No acumulado do ano, o índice soma 1,87%, enquanto em 12 meses alcança 3,77%.

Assim como no IPCA, o grupo de alimentos teve forte influência no INPC, avançando de 0,26% em fevereiro para 1,65% em março. Já os produtos não alimentícios tiveram variação mais estável, passando de 0,66% para 0,67% no mesmo período. Salvador também liderou as altas do INPC, enquanto Rio Branco registrou a menor variação.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário