A avaliação é de que o atrito pode prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira (Foto: Reprodução/X/@BolsonaroSP | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
A disputa entre Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) acendeu um alerta na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que avalia o episódio como um fator de risco para a estratégia eleitoral, informa o UOL. A equipe do senador entende que vencer em Minas Gerais será decisivo na corrida presidencial, o que torna o apoio de Nikolas peça-chave — cenário ameaçado pelo conflito público entre os dois parlamentares.
Aliados classificam o comportamento de Eduardo como de “potencial catastrófico”, diante da possibilidade de prejudicar alianças fundamentais no estado. Integrantes da campanha relatam preocupação crescente com a postura do deputado, considerada desalinhada com a estratégia política traçada para ampliar o alcance eleitoral de Flávio.
O próprio senador já se manifestou publicamente sobre o tema. Em participação no podcast Inteligência Ltda., Flávio Bolsonaro afirmou que a briga é “contraproducente” e acrescentou que “não é inteligente”. Nos bastidores, ele tem defendido a necessidade de ampliar pontes, inclusive com antigos críticos da família, como forma de consolidar apoio político.
A tensão com Nikolas Ferreira preocupa especialmente pelo impacto que pode ter sobre o eleitorado mineiro. Considerado um dos nomes mais influentes da direita no estado, o deputado é visto como essencial para garantir capilaridade à campanha. A avaliação interna é que, diante do conflito, Nikolas poderia oferecer apenas um apoio formal, sem engajamento efetivo, o que reduziria o potencial de votos.
Outro ponto sensível envolve a imagem pública de Flávio Bolsonaro. O senador tenta se apresentar como uma figura mais moderada para atrair eleitores de centro, mas as polêmicas envolvendo o irmão acabam associando sua candidatura a um perfil mais radicalizado, dificultando esse reposicionamento.
A preocupação com a atuação de Eduardo não é recente. Desde o fim de 2025, quando Flávio passou a ser tratado como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), interlocutores já apontavam o risco de divergências internas prejudicarem a campanha. Apesar disso, aliados reconhecem que não há margem para afastamento entre os irmãos, tanto por laços familiares quanto pelo impacto que isso teria junto à base mais fiel do bolsonarismo.
Ao mesmo tempo, lideranças do PL tentam conter os danos. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem atuado como mediador e realizou viagens aos Estados Unidos para dialogar com Eduardo. Outros dirigentes também participaram de iniciativas semelhantes para reduzir tensões e alinhar discursos.
Apesar das preocupações, aliados destacam que Eduardo Bolsonaro também teve papel relevante no crescimento inicial de Flávio nas pesquisas. Segundo essa avaliação, houve transferência significativa de capital político e mobilização da militância mais engajada, inclusive nas redes sociais, onde seguidores migraram em apoio ao senador.
No cenário mineiro, a campanha ainda avalia alternativas. O senador Cleitinho (Republicanos-MG) aparece como um nome com forte apelo popular, especialmente entre eleitores insatisfeitos com a política tradicional. Com discurso antissistema e foco no combate à corrupção, ele amplia o alcance junto ao eleitorado indeciso, considerado decisivo para o resultado da eleição.
A possível candidatura de Cleitinho ao governo de Minas adiciona complexidade ao cenário. Sem consenso com Nikolas Ferreira, há risco de divisão dentro da direita no estado. Caso não haja acordo entre os dois, Flávio Bolsonaro pode enfrentar dificuldades para obter apoio integral, o que reduziria sua competitividade em um dos principais colégios eleitorais do país.
Fonte: Brasil 247 com informações do UOL
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