sexta-feira, 10 de abril de 2026

Beto Louco entrega proposta de delação premiada e denuncia magistrados

Proposta entregue ao MP-SP inclui denúncias sobre servidores e esquema bilionário de fraudes fiscais investigado desde 2025

    Beto Louco (Foto: Reprodução)

O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, formalizou a entrega de uma proposta de delação premiada ao Ministério Público de São Paulo, na qual afirma ter informações sobre a atuação de servidores públicos e magistrados em um esquema bilionário de fraudes fiscais. A iniciativa está relacionada à operação Carbono Oculto, que investiga crimes como sonegação e lavagem de dinheiro desde 2025. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

O empresário apresentou anexos com detalhes do que pretende relatar, além de materiais de corroboração, incluindo dezenas de celulares que utilizava, os quais poderão ser periciados para comprovação dos fatos.

A proposta de colaboração não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília. Em tentativa anterior, a Procuradoria-Geral da República (PGR), sob comando de Paulo Gonet, havia rejeitado uma delação apresentada por Leme. Na ocasião, o empresário mencionava políticos, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Leme teria presenteado Alcolumbre com itens e eventos, como canetas e um show do cantor Roberto Carlos no Amapá, supostamente em troca de apoio político para reverter decisões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) contrárias à empresa Copape, ligada ao empresário. O senador nega qualquer irregularidade.

A operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 e apura a infiltração do crime organizado em setores formais da economia, como postos de combustíveis, padarias e fintechs. O caso ganhou dimensão por envolver movimentações financeiras de grande escala e possíveis conexões institucionais.

Foragido, Leme passou semanas em contato com seus advogados para estruturar os anexos da proposta. Esses documentos funcionam como uma prévia do conteúdo que poderá ser formalmente incluído no acordo de colaboração com o Ministério Público.

Outro ponto considerado sensível nas negociações é o ressarcimento financeiro ao Estado. Segundo relatos, o empresário concordou em devolver valores milionários, etapa que costuma representar um dos principais entraves em acordos desse tipo.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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