quarta-feira, 8 de abril de 2026

Trégua e vitória iraniana marcam o 40º dia de guerra

Cessar-fogo de duas semanas abre negociações e reduz tensões no 40º dia da guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã

         Iranianos celebram vitória (Foto: Reuters)

O anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Irã e Israel marcou uma reviravolta no 40º dia da guerra, abrindo caminho para negociações diplomáticas e aliviando temporariamente as tensões no Golfo Pérsico. O acordo foi firmado poucas horas antes do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intensificar as ações militares, destaca reportagem da Al Jazeera.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a segurança da rota será garantida em coordenação com as forças armadas do país. Em paralelo, negociações formais devem começar na próxima sexta-feira em Islamabad, capital do Paquistão, com mediação do governo paquistanês.

O acordo foi costurado após pressão diplomática do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que solicitou a Washington a extensão do prazo para um entendimento e pediu ao Irã que reabrisse a passagem marítima. A Casa Branca confirmou que Israel também aderiu à trégua.

Entre os pontos discutidos para um eventual acordo mais amplo, Teerã propôs o levantamento de sanções econômicas, a criação de um fundo de compensação por danos de guerra e a possível retirada de tropas americanas do Golfo. O plano também inclui o reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio, em troca do compromisso de não desenvolver armas nucleares.

Apesar da trégua, episódios de violência continuaram a ser registrados. Israel admitiu que um ataque noturno atingiu uma sinagoga em Teerã, classificando o incidente como resultado de “danos colaterais” e expressando pesar. No norte de Israel, cinco pessoas ficaram feridas após ataques com mísseis vindos do Irã e foguetes disparados do Líbano.

No Líbano, operações militares israelenses persistiram, incluindo um bombardeio que teria atingido uma ambulância na região de Qlaileh. Autoridades de saúde locais denunciaram que equipes médicas e de resgate vêm sendo alvo frequente. Israel, por sua vez, ressaltou que o cessar-fogo não se aplica ao território libanês, onde mantém confrontos com o Hezbollah.

O movimento da Resistência libanesa, aliado do Irã, não comentou diretamente o acordo, mas divulgou uma declaração anterior do aiatolá Ali Khamenei acompanhada de imagens de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel rasgadas, com a mensagem: “Faremos o inimigo se ajoelhar”.

Analistas avaliam que o acordo representa um momento delicado. Trita Parsi classificou a decisão como um recuo estratégico dos Estados Unidos, afirmando que o conflito havia se tornado “um desastre absoluto”.

No cenário econômico, o impacto foi imediato. Os preços do petróleo caíram abaixo de US$ 100 após o anúncio do cessar-fogo, reduzindo temores de interrupção no fornecimento global. Ainda assim, especialistas alertam que o mercado permanece cauteloso diante das incertezas nas negociações. Alex Holmes, da Economist Intelligence Unit, afirmou que há uma “grande lacuna” nas tratativas e que investidores seguem em compasso de espera.

Mesmo com a trégua em vigor, a situação permanece volátil, com tensões persistentes em diferentes frentes do conflito e um cenário diplomático ainda indefinido.

Fonte: Brasil 247

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