Juliana Brizola saiu em defesa da unidade do campo progressista; Aliados de Edegar Pretto reafirmam candidatura e criticam o PDT
A pré-candidata do PDT ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola, divulgou um manifesto político em defesa da unidade do campo democrático, propondo a construção de uma frente única em torno do presidente Lula no estado e também na disputa ao Palácio Piratini já no primeiro turno. O documento, publicado nas redes sociais, amplia a pressão sobre as articulações entre PDT e PT.
O manifesto, com cinco páginas, apresenta críticas ao atual cenário político e sustenta a necessidade de convergência entre forças progressistas. No texto, Juliana também formaliza a saída do PDT do governo de Eduardo Leite.
“Coerente com nossa trajetória e com a responsabilidade que assumimos neste momento histórico e eleitoral, informamos que o PDT decidiu desligar-se do atual governo estadual como passo necessário para construir uma alternativa livre, coerente e comprometida com o desenvolvimento econômico e justiça social”, afirma o documento.
Além da defesa de unidade, a pré-candidata argumenta que sua posição eleitoral é competitiva. Segundo ela, pesquisas de intenção de voto indicam desempenho consistente. “Reúno, dentro do nosso campo, as melhores condições eleitorais, tanto no primeiro, mas especialmente no segundo turno das eleições”, sustenta no manifesto. Ao final do documento, Juliana utiliza um slogan para manifestar aproximação com o presidente Lula (PT): "Lula lá, Brizola aqui".
Aliados de Pretto reagem
Pouco depois da manifestação de Juliana, cinco partidos — PT, PSOL, PSB, PV e Rede — divulgaram um novo manifesto rejeitando a retirada da pré-candidatura de Edegar Pretto. O documento alerta para riscos políticos de uma eventual mudança de rumo.
No texto conjunto, as siglas afirmam que “a eventual desarticulação dessa frente acarretaria desmobilização e frustração de uma base social que dá sinais inequívocos de que não aceitará ver uma construção coletiva ser substituída por uma imposição definida a portas fechadas, sem diálogo e sem transparência”. A reação evidencia o grau de tensão entre as forças que, em tese, compõem o mesmo campo político.
O manifesto também apresenta críticas diretas à pré-candidatura de Juliana Brizola. “Essa hipótese é ainda mais incompreensível por significar a substituição de uma frente plenamente identificada com o presidente Lula por uma candidatura que, ao longo dos últimos anos, não esteve na linha de frente da defesa e da divulgação das ações do governo federal”, diz o texto. Em outro trecho, os partidos afirmam que, em debates recentes, “a pré-candidata Juliana Brizola não fez qualquer referência ao presidente Lula ou às políticas do governo federal”.
As divergências se estendem à trajetória do PDT no estado. O documento sustenta que o partido “há mais de uma década, integra, no Rio Grande do Sul, governos que aplicaram uma agenda neoliberal, marcada por privatizações de empresas estratégicas, precarização dos serviços públicos, arrocho aos servidores” e outras medidas. Também cita a flexibilização de normas ambientais como parte desse histórico.
A publicação do contra-manifesto gerou desconforto dentro do próprio PT. De acordo com a coluna, o conteúdo não foi discutido com todos os deputados estaduais nem passou pelo presidente do partido no estado, Valdeci Oliveira. Apenas quatro parlamentares participaram da reunião em que o texto foi apresentado pela deputada Fernanda Melchionna (PSOL), e o PCdoB não assinou o documento.
O embate ocorre às vésperas de uma reunião decisiva da comissão eleitoral nacional do PT, que deve discutir o futuro da candidatura de Edegar Pretto. O diretório gaúcho tende a ser minoritário no encontro. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, já indicou que o partido pode tentar convencer a seção estadual de que o apoio a Juliana Brizola seria o melhor caminho para garantir um palanque único para Lula no Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, dirigentes gaúchos como Henrique Fontana e Cícero Ballestro buscam adiar uma definição, temendo que uma decisão considerada abrupta provoque afastamento da militância. Entre apoiadores de Pretto, há resistência à ideia de apoiar a candidatura pedetista, sob o argumento de que a base não se engajaria na campanha.
O documento das cinco siglas também reforça a centralidade da disputa presidencial. “A nossa prioridade absoluta é a reeleição do presidente Lula”, afirma o texto, que ainda menciona o cenário internacional e critica a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontando riscos de interferência externa em processos eleitorais.
Nos bastidores, aliados de Pretto relatam que ele foi alertado sobre possíveis consequências políticas caso mantenha a candidatura e não obtenha sucesso eleitoral. Ainda assim, o grupo que sustenta sua pré-candidatura defende a continuidade do projeto, destacando a mobilização já construída em diversas regiões do estado.
Fonte: Brasil 247
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