Audiência de páginas de fofoca cresce 654% em um ano e já supera a imprensa tradicional, impulsionada pelo consumo de notícias nas redes sociais
Instagram, TikTok, Snapchat, Kick, YouTube, Facebook, Twitch, Reddit, Threads e X estão exibidos em um celular nesta ilustração, feita em 9 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS/Hollie Adams/Ilustração)
A audiência de páginas de fofoca nas redes sociais registrou um crescimento de 654% em apenas um ano, ultrapassando os veículos de imprensa tradicionais e consolidando uma mudança no consumo de informação no Brasil, informa a Folha de São Paulo. De acordo com o estudo do Projeto Brief, plataforma especializada em pesquisas sobre redes sociais, esses perfis alcançam hoje o dobro da audiência da mídia tradicional, mesmo produzindo significativamente menos conteúdo. Enquanto veículos jornalísticos publicaram cerca de 1,26 milhão de conteúdos nos últimos dois anos, as páginas de fofoca mantiveram um ritmo três vezes menor de postagens.
O avanço desse tipo de conteúdo ocorre em um cenário de transformação no comportamento do público. Atualmente, 53,5% dos brasileiros afirmam se informar por meio das redes sociais, muitas vezes recorrendo a perfis que não se apresentam como veículos jornalísticos.
O levantamento também aponta que 33% da população não possui posicionamento político definido, o que amplia a vulnerabilidade a conteúdos híbridos — que misturam entretenimento, opinião e informação — e que circulam fora dos padrões tradicionais do debate público.
Segundo a análise do Projeto Brief, a dinâmica da disputa política também vem se alterando com esse fenômeno. “A disputa política deixa de acontecer apenas no noticiário ou nas campanhas e passa a se estruturar também em ambientes de entretenimento, onde alcance pesa mais que credibilidade e narrativa chega antes da checagem”.
Esse cenário evidencia uma mudança estrutural na forma como a informação circula no país, com plataformas digitais e conteúdos de entretenimento assumindo papel central na formação da opinião pública, muitas vezes sem os filtros e critérios tradicionais do jornalismo.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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