O advogado Jeffrey Chiquini, que ganhou projeção política e digital nos últimos meses após assumir a defesa de réus ligados à chamada trama golpista, agora se lança como pré-candidato pelo Partido Novo. Cotado inicialmente para disputar o Senado, ele busca uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Paraná, enquanto amplia sua presença nas redes sociais com discursos de forte posicionamento político.
Cada vez com mais destaque no bolsonarismo, Chiquini adota uma postura de enfrentamento ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em publicações e entrevistas, ele afirma que o movimento “não tem respaldo legal para existir” e sustenta que a organização poderia ser caracterizada como “uma organização criminosa de invasão de terra”.
O posicionamento atual contrasta com sua atuação profissional no passado. Em 2015, o advogado assinou uma peça judicial em defesa de ocupantes ligados ao MST em uma ação de reintegração de posse no Paraná. Na ocasião, ele invocou o princípio da função social da propriedade e contestou a legitimidade dos supostos donos da área, além de rebater a tese de invasão.
No documento apresentado à Justiça, e obtido por Lauro Jardim, Chiquini escreveu: “não são invasores mas ocupantes de terra prometidas que eram de desapropriação. Requer ainda dilação de prazo, considerando economia familiar e agrícola, cujas culturas devem ser remanejadas, bem como as famílias que não oferecem risco à sociedade, são pacíficas, não é necessário o emprego de força”. O advogado deixou o caso em maio de 2025.

Formado pela Faculdade Opet, Chiquini é mestre em Direito pelo Centro Universitário de Curitiba e atua como professor de processo penal na Escola da Magistratura Federal do Paraná. Sua dissertação de mestrado abordou o tema do compliance como instrumento de combate à corrupção.
Durante o evento em que confirmou sua pré-candidatura, o advogado afirmou: “O Novo é hoje o único partido no Brasil que leva compliance a sério e pratica aquilo que prega no combate à corrupção”, acrescentando que escolheu a legenda por acreditar na possibilidade de “consertar o sistema de justiça brasileiro, que precisa voltar a servir ao cidadão, e não ao poder”.
Antes de assumir a defesa de investigados ligados à tentativa de golpe, Chiquini também atuou em outros casos de repercussão, como na defesa do ex-assessor Filipe Martins, do jogador Alef Manga em processo relacionado a apostas ilegais e do vencedor do Big Brother Brasil, Diego Alemão, em uma ação por porte ilegal de arma de fogo.
Fonte: DCM
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