terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Presidido por Michelle Bolsonaro, PL Mulher ignora candidatura de Flávio


      Michelle e Flávio Bolsonaro. Foto: Brenno Carvalho

O PL Mulher, presidido por Michelle Bolsonaro, tem ignorado nas redes sociais a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, revelando um racha interno sobre o projeto eleitoral do clã Bolsonaro para 2026. O silêncio contrasta com a linha adotada pela direção nacional do partido e expõe divergências entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro.

Um levantamento do UOL mostra que as páginas do PL Mulher não fizeram nenhuma menção a Flávio desde que a pré-candidatura foi anunciada publicamente, em 5 de dezembro, quando o ex-presidente indicou o filho para a disputa presidencial. Passados quase dois meses, não houve qualquer referência ao senador nos canais comandados pela ex-primeira-dama.

O comportamento difere do adotado pelo PL nacional. No mesmo período, o perfil oficial do partido no Instagram publicou mais de 40 postagens citando Flávio, muitas delas apresentando sua pré-candidatura como continuidade do legado do pai.

A ausência de apoio se repete nas redes pessoais de Michelle Bolsonaro. Desde o anúncio da pré-candidatura, não há registros de publicações da ex-primeira-dama mencionando o enteado ou a disputa presidencial.

Em contraste, Michelle usou seus perfis para exaltar o deputado Nikolas Ferreira, responsável por uma caminhada recente. Em dois posts, ela o chamou de “grande líder” e de “separado por Deus para este tempo”.

As publicações foram interpretadas por bolsonaristas como provocação e sinal de distanciamento em relação à candidatura de Flávio.

Disputa com os filhos de Bolsonaro

Segundo aliados do bolsonarismo ouvidos sob condição de anonimato, o silêncio de Michelle estaria ligado a rusgas com os enteados. A ex-primeira-dama não teria ficado satisfeita com a decisão de Jair Bolsonaro de ungir Flávio como pré-candidato, o que encerrou seus próprios planos eleitorais para 2026.

Michelle nutria o desejo de disputar a Presidência ou de ser vice em uma chapa apoiada pelo marido. No entorno dela, o cenário mais bem avaliado era uma composição com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com a escolha de Flávio, a alternativa mais provável passou a ser uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Pesquisa Quaest: Tarcísio e Michelle lideram para substituir Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Reprodução
Críticas internas e cobrança por engajamento

O comportamento de Michelle tem sido alvo de críticas dentro do bolsonarismo. Uma liderança próxima aos filhos de Bolsonaro afirmou que a ex-primeira-dama estaria colocando interesses pessoais acima de um projeto político liderado por Flávio e conduzido pelo próprio Jair Bolsonaro.

“Ela age como uma menina mimada que perdeu o brinquedo”, disse outro aliado, que também afirmou que Michelle tinha “obrigação” de demonstrar apoio ao senador por consideração ao marido preso. Para esses críticos, a ex-primeira-dama deveria usar seu capital político para impulsionar a pré-candidatura.

Aliados avaliam que Michelle poderia ajudar Flávio especialmente entre evangélicos e no eleitorado feminino, segmentos em que o bolsonarismo enfrenta dificuldades. Há também a leitura de que a estrutura do PL Mulher poderia ser utilizada para divulgar a pré-candidatura do senador.

Antes, Michelle vinha realizando viagens pelo país em eventos do partido. Essas agendas eram vistas como oportunidades para difundir a mensagem eleitoral. No entanto, as viagens foram suspensas.

Em 21 de janeiro, Michelle anunciou o adiamento de um evento do PL Mulher que ocorreria em fevereiro, no Tocantins, citando a situação de Jair Bolsonaro. Em dezembro, cancelou um encontro no Rio, alegando motivos médicos. As justificativas, porém, não convenceram o entorno dos filhos do ex-presidente.

Relação marcada por desgastes recentes

A relação entre Michelle e os enteados acumula atritos. No início de dezembro, ela criticou o PL por articular uma possível aliança com Ciro Gomes no Ceará. “Assim não dá”, disse, causando constrangimento interno.



Outro episódio recente envolveu Tarcísio de Freitas. Michelle repostou um vídeo do governador com críticas ao presidente Lula, gesto interpretado como mais um sinal de rejeição à candidatura de Flávio e de articulação para integrar uma chapa presidencial alternativa.

Ela também curtiu um comentário da esposa de Tarcísio, Cristiane, que dizia que o Brasil precisa de um “novo CEO, meu marido”. Para parte do bolsonarismo, a frase indicaria apoio a uma candidatura presidencial do governador; para outros, tratava-se apenas de um vocativo.


Fonte: DCM com informações do UOL

Nenhum comentário:

Postar um comentário