quinta-feira, 18 de junho de 2026

Gleisi: “Não podemos aceitar ingerência na política brasileira”

Gleisi afirma que a soberania nacional deve prevalecer diante de pressões externas e disputas eleitorais

      Gleisi Hoffmann (Foto: Gil Ferreira/SRI-PR)

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez uma enfática defesa da soberania nacional e da autonomia das instituições brasileiras ao comentar as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política interna do Brasil. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, a parlamentar afirmou que o país não pode admitir qualquer tipo de interferência estrangeira em seu processo político e eleitoral, ressaltando que cabe exclusivamente ao povo brasileiro decidir os rumos da nação.


Ao abordar as manifestações de Trump, que voltou a comentar a situação política brasileira e a fazer referências a aliados da extrema direita, Gleisi avaliou que existe uma linha que não pode ser ultrapassada nas relações entre os países. Para ela, é natural que líderes internacionais acompanhem e expressem opiniões sobre acontecimentos políticos ao redor do mundo, mas qualquer tentativa de influenciar ou pressionar processos democráticos de outras nações representa uma afronta à soberania.

“Uma coisa é o respeito que a gente tem com os países, a relação comercial que nós mantemos. Outra coisa é ingerência. Isso nós não podemos aceitar”, afirmou.

A parlamentar elogiou a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que respondeu às declarações do líder norte-americano reafirmando a independência das instituições brasileiras. Segundo Gleisi, o Brasil precisa manter uma postura firme diante de qualquer tentativa de influência externa, preservando sua capacidade de tomar decisões de forma autônoma e sem submissão a interesses estrangeiros.

Para a deputada, a defesa da soberania nacional será um dos temas centrais do debate político nos próximos anos. Ela argumenta que a democracia brasileira deve estar preparada não apenas para enfrentar disputas internas, mas também para resistir a pressões externas que possam comprometer a liberdade do eleitorado e o funcionamento das instituições.

Nesse contexto, Gleisi também demonstrou preocupação com o papel das plataformas digitais e das campanhas de desinformação em processos eleitorais. Sem citar casos específicos, ela alertou para o risco de que estruturas internacionais de comunicação e redes sociais sejam utilizadas para influenciar a opinião pública e interferir no debate político brasileiro.

Apesar das ameaças, a deputada rejeitou qualquer clima de alarmismo. Segundo ela, o país deve responder com serenidade e confiança em sua própria capacidade de defender a democracia.

“Eles podem muito, mas não podem tudo. Quem decide a eleição aqui dentro é o povo brasileiro”, declarou.

A defesa da soberania apareceu associada, ao longo da entrevista, a uma visão mais ampla sobre o papel do Estado e sobre os desafios enfrentados pelo país. Para Gleisi, proteger a autonomia nacional significa também garantir condições para que o Brasil possa definir suas prioridades econômicas, sociais e políticas sem sofrer pressões de grupos ou governos estrangeiros.

Essa visão ficou evidente quando a parlamentar foi questionada sobre sua identidade política e sobre um debate recente provocado por declarações de Lula acerca dos rótulos ideológicos. Em resposta, Gleisi procurou deslocar a discussão do terreno dos conceitos abstratos para o campo das políticas concretas.

“Se defender trabalhador, defender o salário mínimo real, defender a inclusão social, defender o desenvolvimento nacional com sustentabilidade e defender as estatais é ser de esquerda. Então eu sou de esquerda e acho que o Lula também.”

A afirmação sintetiza uma das principais mensagens transmitidas pela deputada durante a entrevista. Em sua avaliação, a esquerda não deve ser definida pelos estereótipos que historicamente lhe foram atribuídos por adversários políticos, mas pelo compromisso efetivo com a melhoria das condições de vida da população.

Segundo Gleisi, o debate ideológico frequentemente é contaminado por caricaturas que associam a esquerda a experiências autoritárias ou a projetos radicais desconectados da realidade brasileira. Para ela, essa estratégia busca afastar setores da sociedade de discussões fundamentais sobre emprego, renda, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades.

Ao defender sua identidade política, a deputada resgatou as origens do Partido dos Trabalhadores e destacou que a legenda nasceu com o objetivo de representar os interesses dos trabalhadores e dos segmentos historicamente excluídos das decisões de poder. Na sua visão, essa missão permanece atual em um país marcado por profundas desigualdades sociais.

Gleisi também associou a defesa da soberania nacional à valorização das políticas públicas voltadas para a maioria da população. Segundo ela, a recuperação econômica observada nos últimos anos e a retomada de investimentos em áreas como saúde, educação, assistência social e infraestrutura demonstram a importância da presença do Estado como instrumento de promoção do desenvolvimento.

Ao comentar a situação política nacional, a parlamentar afirmou que os resultados do governo Lula começam a se refletir na percepção da população. Para ela, após um período dedicado à reconstrução de programas e estruturas administrativas, os efeitos das ações governamentais passaram a ser mais visíveis no cotidiano dos brasileiros.

“A gente está plantando e agora começa a colher”, observou.

Na avaliação de Gleisi, o fortalecimento de programas sociais, a ampliação dos investimentos públicos e a retomada de obras de infraestrutura ajudam a explicar a recuperação da imagem do governo e a consolidação de uma agenda baseada no crescimento econômico com inclusão social.

A deputada também criticou setores da extrema direita que, segundo ela, tentam se apresentar como representantes do patriotismo enquanto mantêm relações políticas que contrariam interesses nacionais. Sem citar apenas personagens específicos, argumentou que parte da população começa a perceber as contradições existentes entre determinados discursos nacionalistas e práticas que buscam apoio externo para disputas internas.

Ao final da entrevista, Gleisi reafirmou que a defesa da soberania, da democracia e dos direitos sociais continuará sendo o eixo central da atuação do campo progressista. Para ela, o Brasil precisa enfrentar os desafios do cenário internacional sem abrir mão de sua independência política e sem abandonar o compromisso com a inclusão social.

“Quem decide os rumos do Brasil é o povo brasileiro pela autonomia do seu voto”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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