Luciano Hang, dono da Havan e um dos empresários mais ligados à direita no Brasil, entrou na campanha contra a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. Em tom de deboche, ele afirmou que preferiria a aprovação da escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, para que os efeitos da medida fossem sentidos rapidamente.
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta, que agora será analisada pelo Senado. Crítico do texto defendido pelo governo Lula, Hang disse à Folha que a mudança pode aumentar os custos da Havan entre 15% e 20% e provocar uma “quebradeira” de pequenas e médias varejistas pelo país.
“O Congresso deveria aprovar a 4×3 e implantá-la já em junho para que a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar. Coisa ruim tem que ser o mais rápido possível, não adianta você ficar sofrendo por muito tempo”, afirmou. “Acho que para acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o mais rápido possível”.
Segundo o empresário, os custos adicionais seriam repassados ao consumidor. “Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços”, disse. “Essa diferença de 15% a 20% vai para os preços. E a inflação vai comer o salário do cara, que vai ter que arranjar um segundo emprego para sobreviver”.
Hang também criticou leis trabalhistas e afirmou que, no Brasil, elas “são feitas por pessoas que não gostam de trabalhar”. Ele citou o artigo 386 da CLT, que garante às mulheres ao menos uma folga em um domingo a cada 15 dias. A regra existe desde 1943 e foi ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023.
“A Havan tem três turnos [de trabalho]. Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que contratar mais homens. […] Cada lei que não tem lógica, quem sofre é a própria pessoa para que foi feita a lei”, afirmou. “Eu nunca vi, nesse país, tanto idiota para fazer leis burras”.
A posição de Hang não é consenso no setor. A FecomercioSP avalia que a dificuldade está na complexidade de organizar escalas já previstas em negociações coletivas, como 1×1, 2×1 e 2×2, referentes aos domingos de folga.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, afirmou que é inviável deixar de contratar mulheres no comércio.
“Tem certas funções que, por mais que possam ser executadas por homens, ficaram basicamente com a mulher, como caixa de supermercados, atendente e vendedora de loja de roupas femininas. Há consumidoras que não vão querer comprar com homens. São argumentos pequenos”, disse.
A Havan tem 191 lojas e mais de 25 mil funcionários. A rede inaugura neste sábado (30) sua 192ª unidade, em Taquara (RS), e deve encerrar o ano com mais de 200 lojas. Em 2025, registrou R$ 13,7 bilhões em receita líquida e lucro líquido de R$ 3,5 bilhões.
Fonte: DCM
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