Deputado do PL diz que está nos EUA por agenda de investimentos, rebate suspeitas sobre filme ligado a Bolsonaro e promete prestação de contas
Flávio Bolsonaro e Mario Frias (Foto: Carlos Moura/Agência Senado / Marcello Casal JrAgência Brasil)
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou que retornará ao Brasil após cumprir compromissos nos Estados Unidos e negou qualquer tentativa de permanecer fora do país em meio às investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL) até a Presidência da República.
As declarações foram dadas em entrevista ao programa News Noite, do SBT News, exibida nesta terça-feira (19). Durante a conversa, Frias disse que está nos EUA em busca de investimentos na área de segurança pública e garantiu estar à disposição da Justiça. “Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, declarou.
Antes da viagem aos Estados Unidos, o parlamentar afirmou que esteve no Bahrein para discutir oportunidades de investimentos voltados ao Brasil. Segundo ele, a agenda internacional faz parte de iniciativas ligadas ao mandato parlamentar e não possui relação com as investigações em andamento sobre a produção cinematográfica.
☉ Frias nega arrependimento por relação com empresário
Durante a entrevista ao SBT News, o deputado também comentou sua aproximação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontado em reportagens do Intercept Brasil como um dos nomes ligados ao financiamento do longa-metragem. Frias afirmou que não se arrepende das tratativas realizadas para viabilizar o projeto.
“É óbvio que eu não me arrependo. A gente não podia saber... [...] a gente tem que partir do princípio que não há culpa. [...] É claro que eu não me arrependo de absolutamente nada. Fizemos um projeto sério”, afirmou o deputado.
Segundo reportagens publicadas pelo Intercept Brasil, Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados à produção. Documentos do projeto também indicam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chegou a ocupar uma função executiva na fase inicial do longa, com poderes relacionados ao orçamento da obra.
☉ Contatos com banqueiro ocorreram por causa do filme
Ao comentar sua relação com Daniel Vorcaro, Mário Frias admitiu que manteve conversas com o banqueiro, mas afirmou que os contatos ocorreram exclusivamente em razão da produção de “Dark Horse”. Segundo o parlamentar, ele deve apresentar uma prestação de contas pública sobre os recursos do filme até o início da próxima semana.
“A gente não pode falar absolutamente nada”, disse Frias ao justificar o silêncio mantido até agora sobre detalhes financeiros do projeto. O deputado alegou que contratos de confidencialidade, conhecidos como NDA (Non-Disclosure Agreement), impediam manifestações mais detalhadas sobre os investidores envolvidos.
Frias também voltou a afirmar que o longa foi financiado apenas com recursos privados. De acordo com ele, os investimentos foram realizados por meio da empresa Entre Investimentos e não possuem participação formal de Daniel Vorcaro ou do Banco Master. “Não tem assinatura de Daniel, não tem assinatura de Banco Master”, declarou.
☉ PF investiga movimentações ligadas ao Banco Master
Apesar das declarações do deputado, a Polícia Federal cita a empresa Entre Investimentos em apurações relacionadas a um suposto esquema financeiro envolvendo o Banco Master. As investigações apontam suspeitas de utilização de empresas e fundos de investimento para dificultar o rastreamento de recursos.
Entre os casos analisados pela PF estão operações financeiras ligadas a fundos públicos de previdência, como o RioPrevidência e a Amapá Previdência (Amprev). O material investigado busca identificar possíveis irregularidades na movimentação de recursos financeiros associados às operações.
As suspeitas envolvendo o financiamento do filme também chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na última sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino determinou a abertura de um processo para apurar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares destinadas por Mário Frias e pelos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-RS).
☉ Emendas parlamentares também entram na investigação
A ação foi apresentada pelos deputados Henrique Vieira (Psol-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo o processo, ao menos R$ 2 milhões enviados por Mário Frias à Academia Nacional de Cultura poderiam ter relação indireta com a produção de “Dark Horse”.
A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também integra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo desenvolvimento do filme sobre Jair Bolsonaro. A suspeita levantada pelos autores da ação é de que recursos públicos possam ter sido utilizados de forma indireta na estrutura do projeto audiovisual.
Mário Frias negou qualquer ligação entre as emendas parlamentares e o filme investigado. Segundo o deputado, os repasses seguiram os trâmites legais e já teriam sido considerados regulares pela advocacia da Câmara dos Deputados. “Não tem nada a ver com filme”, afirmou.
Fonte: Brasil 247
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