"Isso é graças a políticas públicas que permitiram a mobilidade social. Isso me emociona muito", afirmou Luciana Barreto
A jornalista Luciana Barreto se emocionou nesta sexta-feira (22), durante entrevista do presidente Lula (PT) ao programa Sem Censura, da EBC, ao destacar o significado simbólico de duas mulheres negras integrarem a bancada que entrevistava o presidente da República.
No programa, Luciana afirmou que tentava “fingir normalidade”, mas ressaltou que a cena representava um marco para a televisão pública e para o país. “Eu estou aqui fingindo normalidade, mas na verdade a gente está diante, na bancada, de duas mulheres negras. O senhor está entre duas mulheres negras entrevistando o presidente da República. Eu nem lembro se isso já aconteceu neste país”, disse a jornalista.
Lula respondeu: “nunca”. Em seguida, Luciana relacionou o momento às políticas públicas que ampliaram a mobilidade social da população negra no Brasil. “Mas isso é graças a políticas públicas que permitiram a mobilidade social. Então isso me emociona muito, presidente. Estar aqui, agora, fazendo parte da bancada entrevistando o presidente da República”, afirmou.
A jornalista também mencionou que mulheres negras seguem sendo alvo de ataques e discursos de ódio, especialmente nas redes sociais. “Sei que o senhor também é uma pessoa que esteve muito envolvida nas últimas décadas para que a população preta tivesse mobilidade social. Mas isso tem sido um ativo também de ódio. Nós, mulheres negras, somos também o alvo do discurso de ódio, nas redes sociais especialmente”, declarou.
Luciana Barreto afirmou ainda que o ódio direcionado a mulheres negras está ligado ao avanço social dessa parcela da população. “Esse discurso de ódio tem a ver com a mobilidade social. Nos querem na cozinha, presidente. Mas a gente está aqui entrevistando o presidente da República. Queria saber como o senhor enfrentou toda essa adversidade para colocar políticas públicas neste país”, completou.
Em resposta, Lula afirmou que a criação de políticas públicas voltadas à inclusão sempre enfrentou resistência. “É sempre muito difícil. Toda vez que a gente tenta criar uma coisa nova, aparecem pessoas dizendo ‘olha, custa muito; não precisa’. Aí apareciam os preconceituosos: ‘você vai tirar meu filho da escola para colocar um negro?’”, disse o presidente.
Lula defendeu que o objetivo das políticas de inclusão é garantir igualdade de oportunidades. “Eu não vou tirar teu filho para colocar um negro. Eu quero que o negro tenha a mesma oportunidade que o teu filho. É só isso que eu quero. Eu não quero tirar a filha da patroa para colocar a filha da empregada doméstica. Eu só quero que a filha da empregada doméstica tenha as mesmas chances da sua filha, que vá para a mesma escola, que tenha o mesmo professor e que dispute a mesma vaga. É só isso que eu quero”, afirmou.
O presidente também relatou a história de uma estudante que ingressou na universidade em Minas Gerais e enfrentava discriminação no ambiente acadêmico. “Eu sei do preconceito que vocês sofrem. Eu lembro de uma menina que a gente colocar na universidade lá em Minas Gerais e ela dizia para mim: ‘presidente, toda vez que eu entro na sala de aula, as minhas amigas mais ricas nem olham para mim’. Eu falava para ela: ‘não se preocupe, não fique chateada; vença. Quando você vencer, as pessoas vão te respeitar’”, disse.
Ao comentar mudanças no perfil de acesso ao ensino superior, Lula citou a Universidade de São Paulo. “Eu fui na USP num tempo desse. A USP era uma universidade de branco. Hoje, 50% da USP é de meninos negros e pardos da periferia”, afirmou o presidente.
Fonte: Brasil 247
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