sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Pesquisa Nexus: 48% dos brasileiros defendem estreitamento de relações com os BRICS

Levantamento mostra também que população brasileira se divide quanto ao uso do dólar americano como moeda no comércio internacional

Fotografia de Chefes de Estado e de Governo dos países-membros, parceiros e de engajamento externo do BRICS (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Os BRICS – bloco econômico formado pelo Brasil e outros 10 países, entre eles os também fundadores Rússia, Índia, China e África do Sul – entraram na pauta política, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor uma taxação maior a países que têm negociado com o bloco. Em julho, a cidade do Rio de Janeiro sediou a 17ª Cúpula do BRICS.

Pesquisa inédita da Nexus aponta que 48% dos brasileiros defendem um estreitamento maior das relações políticas e econômicas com os integrantes do BRICS, desenvolvendo ainda mais parcerias e acordos comerciais. Outros 33% são favoráveis a um afastamento do bloco econômico e a buscar outros parceiros internacionais, enquanto 18% não souberam ou quiseram responder.

O apreço pelos BRICS é maior entre o público masculino entrevistado (52% são a favor do estreitamento das relações, enquanto 35% são contrários e 11% não souberam responder) do que no universo feminino, onde 44% são a favor, 33% contra e 23% não opinaram.

No público jovem (16 a 24 anos), o apoio ao estreitamento de relações foi de 53% contra 29%. Por sua vez, a população acima dos 60 anos é a que menos nutre apoio e se mostrou dividida – 39% defendem mais parcerias com o BRICS e 38% preferem outros parceiros internacionais e 22% não souberam/quiseram responder à pergunta.

“Quase metade da população apoia o fortalecimento dos BRICS, mas significativos ⅓ são contrários. Isso é reflexo da polarização política, pois 1 em cada 3 brasileiros são contrários provavelmente apenas porque não concordam com o governo, e não necessariamente porque entendem que os BRICS sejam desvantajosos para o Brasil”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

Para aqueles que declararam ter votado no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022, o apoio aos BRICS foi de 55%, enquanto 29% optaram pelo distanciamento do Brasil com o bloco e 16% não souberam responder. Já no eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve uma inversão de tendência: 44% querem distanciamento do bloco, e 42% desejam mais aproximação com o bloco formado pela China, Rússia, Índia e mais sete países além do Brasil. “O cruzamento com o voto na eleição de 2022 é um sinal claro de como a polarização política interfere nesse debate”, reforça Tokarski.

◈ Brasileiros se dividem quanto ao uso do dólar

A preferência pelo estreitamento das relações com o BRICS não é a mesma quando o assunto é a utilização do dólar no comércio internacional. A pesquisa da Nexus detectou uma clara divisão da população sobre o assunto.

Atualmente, 44% dos brasileiros se declararam favoráveis a procurar novas alternativas para substituir o dólar americano no comércio internacional. Por sua vez, 43% preferem a manutenção da moeda, por ser a mais utilizada no mundo, trazendo segurança e estabilidade às negociações. Outros 12% não souberam responder ao tema.

Mulheres são mais inclinadas a buscar novas alternativas (45%) do que a manter a utilização do dólar (39%). Esse é o mesmo sentimento da população entre 41 e 59 anos (48% contra 40%) e do Nordeste (49% a 36%).

Já entre homens, os dados da Nexus mostram que a predileção é pela continuidade do uso da moeda americana (48% contra 44%). Essa também é uma tendência do público de 16 a 24 anos (48% a 42%), do Sul (48% a 40%), daqueles que recebem mais de cinco salários mínimos (52% a 46%).

◈ Jovens entre 16 e 24 anos são os que melhor avaliam EUA e China

A pesquisa da Nexus também mediu a imagem de Estados Unidos e China na opinião dos brasileiros. Para 46%, a visão dos americanos é positiva, enquanto 43% acham negativa. Já os chineses são bem avaliados por 45% e vistos negativamente por 43%.

“Esse dado chama a atenção. Historicamente, os Estados Unidos sempre tiveram entre os brasileiros uma imagem melhor do que a China. Ver que essas percepções hoje se equivalem é um forte indicativo de desgaste da imagem norte-americana, que perdeu parte da admiração para os chineses”, explica Marcelo Tokarski.

Os dados da pesquisa também mostram que 23% dos brasileiros têm imagem positiva dos dois países e 21% têm imagem negativa dos dois países. Por outro lado, 23% dos entrevistados têm imagem positiva só dos EUA e 22% possuem imagem positiva só da China. Outros 11% não souberam responder ou não quiseram responder.

Os jovens de 16 a 24 anos nutrem melhor avaliação aos Estados Unidos (58% veem positivamente aquele país e 34% não são favoráveis) e à China (57% contra 36%). A imagem de ambas as nações é desfavorável entre os brasileiros acima de 60 anos. Destes, 46% veem os Estados Unidos com maus olhos, enquanto 38% avaliam positivamente. Sobre a China, 45% não aprovam e 40% são favoráveis.

A imagem americana é mais positiva para jovens de 16 a 24 anos (58% x 34%), moradores do Sul (56% x 37%), pessoas com ensino superior (52% x 39%) e homens (50% x 42%). Já a visão mais negativa dos EUA está centrada no Nordeste (54% x 35%), em pessoas com ensino fundamental (51% x 35%), de idade entre 41 e 59 anos (50% x 40%) e mulheres (45% x 43%).

Os chineses são melhor avaliados dentre jovens de 16 a 24 anos (57% x 36%), pessoas com ensino superior (53% x 39%), homens (52% x 40%), pessoas que recebem de dois a cinco salários mínimos (50% x 40%) e moradores do Sudeste (48% x 42%).

A imagem da China é mais negativa entre quem recebe até um salário mínimo (49% x 36%), no Nordeste (49% x 42%), com ensino fundamental (45% x 38%) e acima dos 60 anos (45% x 40%).

◈ Para 56% dos brasileiros, a liderança dos EUA é negativa

O impacto político e econômico e a liderança de Estados Unidos e China para o Brasil também foi medido pela pesquisa da Nexus. Os americanos ficaram em desvantagem: 56% avaliam a liderança do país como negativa e 32% veem como positiva. Já a liderança chinesa é vista como positiva por 47%, enquanto 39% enxergam de forma ruim.

“Embora em termos de imagem positiva os dois países ‘empatem’, atualmente mais brasileiros aprovam o papel que a China exerce sobre o Brasil mais do que aprovam o papel dos EUA. Aqui, a atual política norte-americana parece ter tido forte impacto na opinião pública brasileira”, destaca Tokarski.

A rejeição à liderança americana se mostrou maior entre nordestinos (63% x 25%), pessoas que ganham até um salário mínimo (62% x 23%), na faixa de 41 a 59 anos (61% x 34%) e mulheres (58% x 28%).

Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).

◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial

Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.

43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.

Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).

Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).

◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial

Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.

43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.

Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).

◈ Metodologia

A Nexus entrevistou 2.005 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre os dias 15 e 19 de agosto. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Fonte: Brasil 247

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