sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Percepção negativa sobre o Brasil recua e iguala à dos EUA, que registram piora em agosto, aponta Ipsos



Pesquisa mostra que brasileiros veem menos pessimismo no rumo do país, enquanto nos EUA a percepção negativa cresceu 6 pontos

          Donald Trump e Lula (Foto: REUTERS/Brian Snyder | REUTERS/Adriano Machado)

O Brasil reduziu em quatro pontos percentuais o índice de pessoas que acreditam que o país está no caminho errado, igualando-se aos Estados Unidos no mais recente levantamento global do instituto Ipsos. A pesquisa “What worries the world”, divulgada em agosto e citada pelo jornal O Globo, revela que, enquanto os brasileiros demonstraram leve melhora na confiança, a percepção negativa entre os norte-americanos avançou seis pontos em apenas um mês.

Segundo o relatório, tanto Brasil quanto EUA registraram índices próximos da média global, que é de 63% da população avaliando de forma pessimista o rumo de suas nações. O cenário é considerado simbólico por analistas, que destacam o desgaste nas relações bilaterais, historicamente marcadas por aproximação, mas que hoje atravessam o que especialistas descrevem como o momento mais delicado em dois séculos. O fator político também pesa: a ausência de diálogo direto entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, sob a liderança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é apontada como inédito.

◈ Principais preocupações no Brasil

No caso brasileiro, o levantamento mostra que a agenda de temores da população continua centrada em problemas sociais e estruturais, com poucas oscilações em relação a julho. Os principais destaques são:

  • Crime e violência (42%, alta de 1 ponto)
  • Pobreza e desigualdade social (35%, queda de 1 ponto)
  • Saúde (34%, queda de 3 pontos)
  • Corrupção financeira/política (33%, alta de 1 ponto)
  • Impostos (31%, alta de 3 pontos)

A percepção negativa sobre impostos, em particular, chama a atenção: houve aumento de sete pontos em relação a agosto do ano passado. Para o CEO da Ipsos, Marcos Calliari, o tema ganhou visibilidade diante da ampla cobertura midiática sobre a reforma tributária e a pressão fiscal.

"Também houve ampla cobertura na imprensa sobre medidas tarifárias entre países, inclusive o famigerado “tarifaço” de 50% em determinadas linhas de produtos realizados pelos Estados Unidos. Quando os temas são muito noticiados, como costumamos observar nos monitoramentos da pesquisa, sabemos que aumentam a visibilidade da pauta para a população e nesse caso das tarifas, faz crescer a percepção de que as pressões tributárias atingirão diretamente não só o mercado, mas também os consumidores", afirmou Calliari.

◈ Temas que preocupam os americanos

Nos Estados Unidos, a agenda de preocupações é liderada por questões econômicas. A inflação aparece em primeiro lugar (38%, alta de 3 pontos), seguida pela corrupção financeira e política (27%, avanço de 4 pontos). Calliari observa que essa última categoria vem crescendo “desde que as medidas polêmicas do presidente norte-americano passaram a despertar desconfiança de uma parcela significativa do eleitorado”.

Outro destaque foi a saúde, que voltou ao centro do debate, alcançando 25% das menções — uma elevação de seis pontos em apenas um mês.

◈ Como foi feita a pesquisa

O estudo “What worries the world” foi realizado entre 25 de julho e 8 de agosto, com 25.177 entrevistados de 29 países. No Brasil, participaram cerca de mil pessoas, com idades entre 16 e 74 anos. A Ipsos ressalta, no entanto, que a amostra brasileira não é totalmente representativa da população do país, refletindo mais o perfil de indivíduos conectados, moradores de centros urbanos e com escolaridade e renda acima da média nacional.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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