domingo, 5 de abril de 2026

Folha diz que Flávio é golpista e que não existe "bolsonarismo moderado"

Editorial critica discurso do senador nos EUA, aponta contradições no bolsonarismo e explica por que a ideia de moderação é vista como incoerente

        Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/CNN Brasil)

 Em editorial publicado pela Folha de S.Paulo, o jornal afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adota uma postura golpista ao lançar dúvidas sobre a lisura das eleições brasileiras e sustenta que não existe a figura de um “bolsonarista moderado”.

O texto retoma a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022, quando promoveu ataques ao sistema eletrônico de votação. Na ocasião, o jornal registrou que ele “atiça os ânimos de alguns poucos dispostos a participar de seus ensaios golpistas”, classificando a ofensiva como “uma ofensiva estúpida contra uma valiosa conquista nacional”.

Segundo o editorial, Jair Bolsonaro acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, posteriormente, foi condenado e declarado inelegível, cumprindo prisão domiciliar por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Discurso nos Estados Unidos
A crítica ao senador Flávio Bolsonaro se intensifica após sua participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. De acordo com a Folha, o parlamentar, que se apresenta como pré-candidato à Presidência, voltou a questionar o resultado das eleições de 2022.

Em sua fala, Flávio afirmou que vencerá caso haja “eleições livres e justas”: “Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós venceremos”. Ele também pediu que os Estados Unidos “monitorem a liberdade de expressão” no Brasil e “apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”.

Para o jornal, esse tipo de declaração reforça a estratégia de deslegitimação do processo eleitoral, repetindo argumentos já utilizados pelo bolsonarismo nos últimos anos.

Bolsonarismo moderado como“oxímoro”
O editorial afirma ainda que a ideia de um “bolsonarismo moderado” é um oxímoro. Trata-se de uma figura de linguagem que reúne duas ideias contraditórias em uma mesma expressão — como “silêncio ensurdecedor” ou “luz negra”.

Ao classificar o termo dessa forma, a Folha argumenta que não há coerência em associar o bolsonarismo, marcado por ataques às instituições democráticas e disseminação de desinformação, a qualquer noção de moderação. Em outras palavras, para o jornal, a própria natureza do movimento político impediria essa caracterização.

Sistema eleitoral consolidado
O editorial ressalta que o Brasil realiza eleições diretas desde 1989, consideradas livres e justas, e que a adoção das urnas eletrônicas, em 1996, consolidou um sistema seguro e reconhecido internacionalmente.

Diante disso, o jornal avalia que Flávio Bolsonaro deveria abandonar “fantasmas” e se dedicar a esclarecer questões de seu passado, como o caso das “rachadinhas” e suas ligações com milicianos, além de apresentar propostas concretas para o país.

A Folha também menciona que o senador precisa explicar declarações anteriores sobre a “possibilidade e de uso da força” caso o Supremo Tribunal Federal derrube um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de detalhar como pretende enfrentar desafios econômicos, como a necessidade de ajuste fiscal a partir de 2027.

Ao final, o editorial sustenta que a insistência em questionar o sistema eleitoral não apenas empobrece o debate público, como também representa um risco à democracia brasileira.

Fonte: Brasil 247

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