Gestado na gestão Bolsonaro, com Campos Neto no BC e Paulo Guedes na Economia, escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, criou uma rede de influência e lobistas para tentar evitar a falência da instituição, concretizada pela gestão Galípolo um dia após primeira prisão do banqueiro.
estado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), com o auxílio de Paulo Guedes, no “super” Ministério da Economia, e Roberto Campos Neto, no comando do Banco Central, o escândalo financeiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, financiou uma rede de lobistas e influenciadores, incluindo na mídia liberal, com cifras milionárias para tentar intervir na decisão, tomada na gestão Gabriel Galípolo no BC, de liquidar a instituição financeira.
Dados da Receita Federal divulgados em reportagens da própria mídia liberal revelam que a rede de influências cooptada por Vorcaro vai do ex-presidente golpista Michel Temer (MDB) e o ex-Secom de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, ao site Metrópoles, de Luiz Estevão, e a rede de emissoras do apresentador do SBT, Ratinho, que atuou como garoto propaganda da Credcesta, cartão para crédito consignado do grupo Master.
Os números mostram que Vorcaro turbinou em 27 vezes os repasses a políticos, ex-ministros e dirigentes partidários entre 2023 e 2025, durante o governo Lula, quando a blindagem do Master por Roberto Campos Neto no BC chegou ao fim. O banco foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025, pela gestão Galípolo, um dia depois que o banqueiro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Malta, com destino final em Dubai, em um de seus jatinhos.
Dados declarados à Receita Federal – ou seja, que não foram transferidos por meio ilegais, como envio a paraísos fiscais – revelam que o “patrocínio” de Vorcaro ao grupo lobista saiu de R$ 1,53 milhão em 2023 para R$ 41,7 milhões em 2025. No período, o banqueiro distribui mais de R$ 65,8 milhões para a rede lobista, comprando influência no legislativo e judiciário.
Saiba quem recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, segundo informações já divulgadas baseadas em dados da Receita Federal:
- Michel Temer (MDB): ex-presidente, artífice do golpe contra Dilma Rousseff (PT) em 2026, recebeu R$ 10 milhões em 2025. “Como já declarei publicamente, não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”, alegou o medebista em nota.
- Fabio Wajngarten: advogado e ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro recebeu ao menos R$ 3,8 milhões para atuar na defesa do banqueiro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que não exerço qualquer cargo público há mais de 5 anos”, afirmou na rede X.
- Portal Metrópoles e Luiz Estevão: site recebeu do Banco Master R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, que foram direcionados em “débito imediato” a outras empresas do ex-senador Luiz Estevão, que já foi preso por corrupção. Estevão afirma que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025.
- Ratinho e Rede Massa: Apresentador do SBT atuou como garoto propaganda da CredCesta, cartão para crédito consignado do grupo Master, e recebeu R$ 24 milhões de Vorcaro por meio das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e Participações.
- Léo Dias: Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que a empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master. “O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”, declarou o jornalista.
- ACM Neto: membro da dinastia Magalhães, pré-candidato ao Governo da Bahia e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões de Vorcaro por meio de uma empresa de consultoria. “A referida relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”, diz o político baiano.
- Antônio Rueda: Presidente do União Brasil recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia. Em nota, a equipe de Rueda afirmou que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita”.
- Guido Mantega: ex-ministro da Fazenda atuou como consultor “econômico financeiro” do Master e recebeu R$ 14 milhões entre 2024 e 2025. “Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, alega, em nota.
- Henrique Meirelles: ex-ministro da Fazendo recebeu R$ 18,5 milhões do Master. “Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025″, afirmou.
- Viviane Barci de Moraes: escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes teria recebido R$ 80,2 milhões de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Dados da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40.111.826,92, e um pagamento de R$ 40.111.826,92 em 2025. Em nota, o escritório “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
- Ricardo Lewandowski: ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça recebeu R$ 6,1 milhões do grupo Master por meio de escritórios de familiares. Ele alega que ao deixar a corte, em 2023, “retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”. Lewandowski diz ainda que ao assumir o Ministério da Justiça, no governo Lula, “retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como determina a legislação vigente”.
• Ronaldo Bento: ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Bento recebeu R$ 773 mil do grupo de Vorcaro. Como revelou a Fórum, após deixar a pasta responsável pelas políticas de empréstimos consignados, Bento assumiu cargos estratégicos nas empresas do grupo Master.
Fonte: Revista Fórum
Nenhum comentário:
Postar um comentário