O Itamaraty ainda tenta entender os efeitos da decisão da Suprema Corte da Itália que anulou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil. A decisão foi anunciada pela defesa da ex-deputada nesta sexta-feira (22) e deve permitir que ela deixe a prisão na Itália enquanto aguarda uma nova etapa do processo.
Diplomatas brasileiros disseram ao Metrópoles que aguardam explicações dos advogados contratados pelo governo para acompanhar o caso. O objetivo é formar um entendimento sobre os impactos da decisão e os próximos passos a serem adotados pelo Brasil.
Segundo a defesa, a Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, considerou que houve erros na sentença anterior, que havia autorizado a extradição. Com isso, Zambelli deve aguardar um segundo procedimento em liberdade.
A Corte analisou recursos em dois processos julgados pela Corte de Apelação de Roma, ambos favoráveis à extradição da ex-parlamentar. Um deles trata da condenação pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O outro envolve a condenação por porte ilegal de arma de fogo.
Apesar da anulação, a extradição ainda depende de uma decisão política. O caso seguirá para análise do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, integrante do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Ele terá prazo de 45 dias para decidir se autoriza ou não a entrega da ex-deputada ao Brasil.
A Suprema Corte de Cassação anulou nesta sexta a decisão que autorizava a extradição no processo relacionado ao CNJ. Segundo o advogado Alessandro Sammarco, a Justiça italiana também determinou a libertação de Zambelli. A defesa informou que aguarda a publicação do acórdão para conhecer os fundamentos adotados pelos magistrados.
Zambelli está presa desde 29 de julho de 2025 em uma unidade prisional feminina nos arredores de Roma. O presídio opera acima da capacidade oficial e enfrenta déficit de servidores, segundo dados do Ministério da Justiça da Itália.
A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do CNJ. Depois da decisão, deixou o Brasil. Em dezembro, o STF determinou a perda do mandato parlamentar, e Zambelli apresentou carta de renúncia à Câmara poucos dias depois.
Fonte: DCM com informações do Metrópoles

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